Transcrição dos discursos de Bento XVI dirigidos aos participantes dos Encontros do UNIV
Audiência do Papa ao congresso UNIV 2010
Bento XVI saudou os mais de 4.000 universitários do congresso UNIV, na audiência de hoje na Praça de São Pedro. Citando São Josemaria, exortou-os a responder ao Senhor na sua vida diária.
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Tríduo Pascal
Queridos irmãos e irmãs!
Estamos a viver os dias santos que nos aproximam da meditação dos acontecimentos centrais da nossa Redenção, o núcleo essencial da nossa fé. Começa amanhã o Tríduo pascal, fulcro de todo o ano litúrgico, no qual somos chamados ao silêncio e à oração para contemplar o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
Nas homilias os Padres referem-se com frequência a estes dias que, como observa Santo Anastásio numa das suas Cartas Pascais, nos introduzem "naquele tempo que nos faz conhecer um novo início, o dia da Santa Páscoa, na qual o Senhor se imolou" (Carta 5, 1-2: pg 26, 1379).
Portanto, exorto-vos a viver intensamente estes dias para que eles orientem decididamente a vida de cada um para a adesão generosa e convicta a Cristo, morto e ressuscitado por nós.
A Santa Missa Crismal, prelúdio matutino da Quinta-Feira Santa, verá amanhã de manhã reunidos os presbíteros com o seu Bispo. Durante uma significativa celebração eucarística, que tem lugar normalmente nas Catedrais diocesanas, serão abençoados o óleo dos enfermos, dos catecúmenos e o Crisma. Além disso, o Bispo e os Presbíteros, renovarão as promessas sacerdotais pronunciadas no dia da Ordenação. Gesto que este ano assume um realce totalmente especial, porque se insere no âmbito do Ano sacerdotal, que proclamei para comemorar o 150º aniversário da morte do Santo Cura d'Ars. A todos os sacerdotes gostaria de repetir os votos que formulei na conclusão da Carta de proclamação: "A exemplo do Santo Cura d'Ars, deixai-vos conquistar por Cristo e sereis também vós, no mundo de hoje, mensageiros de esperança, de reconciliação e de paz!".
Amanhã à tarde celebraremos o momento institutivo da Eucaristia. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, confirmava os primeiros cristãos na verdade do mistério eucarístico, comunicando-lhes quanto ele mesmo tinha ouvido: "O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: "Este é o meu corpo, entregue por vós; fazei isto em memória de mim". De igual modo, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: "Este é o cálice da nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que dele beberdes, em minha memória"" (1 Cor 11, 23-25). Estas palavras manifestam com clareza a intenção de Cristo: sob as espécies do pão e do vinho, Ele torna-se presente de modo real com o seu corpo oferecido e com o seu sangue derramado como sacrifício da Nova Aliança. Ao mesmo tempo, Ele constitui os Apóstolos e os seus sucessores ministros deste sacramento, que entrega à sua Igreja como prova suprema do seu amor.
Além disso, recordaremos ainda, com um rito sugestivo o gesto de Jesus que lava os pés aos Apóstolos (cf. Jo 13, 1-25). Este acto torna-se para o evangelista a representação de toda a vida de Jesus e revela o seu amor até ao fim, um amor infinito, capaz de habilitar o homem à comunhão com Deus e de o tornar livre. No final da liturgia da Quinta-Feira Santa, a Igreja coloca de novo o Santíssimo Sacramento num lugar prepositadamente preparado, que representa a solidão do Getsémani e a angústia mortal de Jesus. Diante da Eucaristia, os fiéis contemplam Jesus na hora da sua solidão e rezam para que cessem todas as solidões do mundo. Este caminho litúrgico é, de igual modo, convite a procurar o encontro íntimo com o Senhor na oração, a reconhecer Jesus entre aqueles que estão sozinhos, a vigiar com ele e a sabê-lo proclamar luz da própria vida.
Na Sexta-Feira Santa faremos memória da paixão e da morte do Senhor. Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados da humanidade, escolhendo para esta finalidade a morte mais cruel e humilhante: a crucifixão. Existe uma relação inseparável entre a Última Ceia e a morte de Jesus. Na primeira Jesus oferece o seu Corpo e o seu Sangue, isto é, a sua existência terrena, oferece-se a si mesmo, antecipando a sua morte e transformando-a num acto de amor. Assim a morte que, por sua natureza, é o fim, a destruição de qualquer relação, é por ele tornada um acto de comunicação de si, instrumento de salvação e proclamação da vitória do amor. Deste modo, Jesus torna-se a chave para compreender a Última Ceia que é antecipação da transformação da morte violenta em sacrifício voluntário, em acto de amor que redime e salva o mundo.
O Sábado Santo é caracterizado por um grande silêncio. As Igrejas estão despojadas e não são previstas particulares liturgias. Neste tempo de expectativa e de esperança, os crentes são convidados à oração, à reflexão e à conversão, também através do sacramento da reconciliação, para poder participar, intimamente renovados, na celebração da Páscoa.
Na noite do Sábado Santo, durante a solene Vigília Pascal, "mãe de todas as vigílias", este silêncio será rompido pelo cântico do Aleluia, que anuncia a ressurreição de Cristo e proclama a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte. A Igreja rejubilará no encontro com o seu Senhor, entrando no dia da Páscoa que o Senhor inaugura ressuscitando dos mortos.
Amados irmãos e irmãs, disponhamo-nos para viver intensamente este Tríduo Santo já iminente, para sermos cada vez mais profundamente inseridos no Mistério de Cristo, morto e ressuscitado por nós. Acompanhe-nos neste itinerário espiritual a Virgem Santíssima. Ela, que seguiu Jesus na sua paixão e esteve presente aos pés da Cruz, nos introduza no mistério pascal, para que possamos experimentar a alegria e a paz do Ressuscitado.
Com estes sentimentos, retribuo desde já os mais cordiais bons votos de santa Páscoa a todos vós, fazendo-os extensivos às vossas Comunidades e a todas as pessoas queridas.
Saudação
Amados peregrinos de língua portuguesa e de modo especial vós jovens universitários vindos para o UNIV: a todos dou as boas vindas, desejando uma participação frutuosa nas referidas celebrações que possa conduzir-vos a uma comunhão cada vez mais intensa com o Mistério de Cristo. Que Deus vos abençoe! Ide em paz!
2010, 31 de Março, AUDIÊNCIA GERAL
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Queremos assegurar ao Papa que suas palavras serão meditadas durante toda esta semana; sua mensagem foi sempre o ponto culminante do UNIV.
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